ELE CONTINUA VELHO, CHATO, FEIO, MAU E SEM-VERGONHA, OU SEJA, UM TÍPICO CONSERVADOR.

Coluna do Comendador Baltazar II

Esta é a continuação do blog que fez, faz e sempre fará parte da relação daquelas pessoas que gostam ou odeiam das coisas que são escritas nele. Particularmente falando, penso que a maioria das pessoas odeiam. É por isso que ele volta no mesmo formato odioso.
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De tempos em tempos precisamos fazer exames para ver se estamos com a saúde em dia. Bom, pelo menos é o que os médicos dizem. No entanto, como daqui uns dias vamos nos mudar, pois já encontramos nova morada (ainda bem), resolvi ir a um desses profissionais da medicina e coisa e tal. Precisava saber como é que meu corpo iria se comportar durante este evento tão perturbador e penoso quanto é o da dita da mudança. O diacho de tudo isso é que sempre, eu disse: sempre, os médicos pedem aquelas malditas coletas de urina e fezes. Mas como tinha de fazer... Fiz. Até por que cagar, mijar ou sei lá o que mais, não são coisas muito difíceis para mim fazer.

Então estava eu, dia desses, enchendo os potes que me foi dado, com as substâncias e quantidades necessárias para realizar os tais exames. Substâncias estas, aliás, coletadas em jejum. Mas até aí, sem problemas; fiz o que tinha de fazer... Com cuidado de não trocar os frascos na hora de fazer a arte, porque senão os resultados poderiam não ficar lá muito bons. Depois de tudo isso escolhi uma roupa menos chamativa para me vestir, e ainda, uma sacola decente para que eu pudesse carregar os materiais sem despertar curiosidades na população.

Enquanto o pessoal de casa corria atrás de toda a papelada necessária para satisfazer a imobiliária e suas ranhetices burocráticas, eu resolvia meus casos de ordem médica. Assim sendo, depois que fiz as tais coletas, e decidida a roupa para a ocasião, fui até o laboratório de análises indicado, munido de meus espécimes, e perfeitamente e carinhosamente acondicionados hermeticamente em potes de plástico devidamente esterilizado, logicamente. E todo este cuidado serviu para que nada em meus queridos exemplares, tanto o líquido quanto o sólido, sofressem qualquer alteração causada pela água, ou pelo ar, ou por respirações, ou pelas digitais de dedos curiosos.

Bom, lá pelas tantas, eu estava caminhado pelas ruas de um lado para outro no centro e já nem tinha mais lembranças do que fora fazer pela região, e ainda, carregando uma maldita sacolinha toda colorida nas mãos. Porém, assim que olhei para o meu relógio, afim de saber as horas, claro, percebi um pequeno aviso escrito: "levar meus apanhados reais ao laboratório de análises clínicas". Então, de volta à realidade estava eu, e o pior de tudo que já estava com fome e ainda tinha de entregar meus negócios no endereço indicado logo, pois tinha horário específico para entregar o material. E como não tinha muita escolha, já que gostaria de saber sobre minha saúde, pus-me a caminhar até o tal laboratório, mesmo com fome.

Contudo, no tal caminho, enquanto eu olhava uma vitrine de uma loja qualquer e coçava minha bunda por dentro das calças, um moleque passou por mim, em grande velocidade, e arrancou a pequena sacola com meus potinhos de minha mão e levou embora. Para onde levou não sei, mas com certeza o produto carregado deva ter causado uma grande surpresa. Ainda mais se o produto fosse para dividir com outros membros da gangue. Na verdade eu até gostaria de ver o moleque apanhando dos companheiros por ter roubado merda. Sabe, até consigo ouvir a gozação dos outros: "seu ladrãozinho de merda". Mas isso, claro, depois da surra e da mijada que deram. Mas daí, depois disso, como não tinha mais nada para fazer, por já terem eliminado uma etapa de meu dia, fui até o café para fazer meu desjejum. Eu estava realmente faminto naquela manhã.


Esta foi, sem sombra de dúvidas, a reação que o tal sujeitinho teve quando soube que roubou os potes de urina e de merda de um velho... digo, de uma pessoa com larga experiência na vida.

Oiram Bourges - 01:44 para cima
Quinta-feira, Julho 06, 2006


Esta semana que passou foi totalmente eufórica para mim, e acredito que até para o pessoal aqui de casa, decidimos nos mudar. De novo? Não! Na outra vez quem decidiu mudar foi a Olga, mais os netos e a sobrinha. Desta vez até eu quero sair daqui, encheu o saco ficar neste mesmo lugar. Não há nenhuma vizinha gostosa para se olhar, babar, ou dizer coisas insinuantes, ou algum vizinho bacana para conversar. Isto é por demais cansativo, tanto a mudança, assunto principal, como continuar morando no mesmo lugar, pois aqui tudo é chato. Mas prefiro me cansar fazendo mudanças que cansar à toa neste bairro idiota. Nada tem de interessante pela redondeza além de um bando de velhos xeretas e caquéticos, que contam vantagens, uns para os outros, sobre suas doenças que são: ou mais fortes, ou incuráveis, ou que não incomodam, ou que não são doenças.

Então, cada um de nós fez sua parte para agilizar na tal mudança. A Olga saiu com o neto para procurar casa, ou apartamento em outro bairro. A neta e a sobrinha saíram para outro lado, também a procura de mesma coisa. Quanto a mim; fiquei aqui em casa mesmo, estava de saco cheio de olhar para todas aquelas pessoas que saem às ruas. Sinto-me enojado com tudo isso; olhar para rostos que se deformam assim que passam por mim realmente me causa repulsa, pois todos trazem, em seus semblantes, desgostos, falsidades, tristezas, embotamentos e enfados piores que os meus. Além de grandes falsidades grudadas em suas bocas moles cheias de negócios brancos, do qual têm o hábito de chamarem de dentes.

Bom, como não tinha nada que fazer até a espera de alguma notícia sobre um possível imóvel encontrado, fui até a sacada do meu apartamento para fumar um charuto e tomar um brandy. Só para passar o tempo. Mas a sensação de tédio e nostalgia me tomou por completo. Fiquei a pensar coisas sem sentido, só para variar, até que me decidi acabar com tudo isso. Tomei num gole só aquele brandy, e apesar de ter me engasgado com aquele golão senti aquilo maravilhoso. E depois de ter ficado com os olhos vermelhos, tanto pelo efeito do álcool como da fumaça do charuto, ri, gargalhei até, mas claro, sem motivos para tanto. E sem mais para o instante sorvi o charuto até onde deu, em seguida arremessei aquele toco lá para baixo. Quis ver o salto livre do tabaco até se espatifar no solo de lajota.

Contudo, aquele toco continuava aceso e queimando. Com isso comecei a ver, com um pouco de dificuldade, algo queimando além do charuto. E aquilo que queimava parecia ser um fardo de papel que estava amontoado perto do muro. Vendo toda aquela fumaça resolvi pegar um balde com água para dar um jeito nisso. Com dificuldades consegui levar o balde cheio d¿água até a sacada do apartamento. Com um esforço sobre humano joguei a água para baixo. Porém, além da água o balde também se foi, e ambos foram dar na cabeça de um enxerido que saiu na janela para ver por que, ou pelo que, ou por quem saia aquela fumaça toda.

Mais que depressa eu me escondi. Claro, não sou bobo. No entanto não voltei mais à janela, ou sacada, ou qualquer outra coisa até chegar o final da tarde, que era quando eu estava com vontade de dar uma voltinha a pé pelas ruas. Foi aí que soube, quando passei pela portaria, de uma reclamação da família do sujeito que ganhou um banho de água e em seguida uma bordoada de um balde velho na cabeça. Logicamente que me fiz de surpreso com tamanha agressividade, e me ofereci, no que fosse preciso, para encontrar o desalmado que fez isto, mesmo que ainda tivesse feito sem querer. Os familiares, o porteiro e o síndico do prédio não entenderam minha colocação... Ainda bem, mas assim mesmo me agradeceram pela boa intenção. Logo após esta minha prestatividade furada que esbocei, fui dar minha voltinha pelo bairro. Mas como estava muito chato acabei voltando logo para casa. Falando em casa, tenho que tirar um dia qualquer da semana para ver se concordo ou não com a escolha feita pela Olga. Se bem que, tanto faz eu concordar ou não com tal imóvel escolhido, por que se ela gostar e quiser não tenho alternativa senão ficar quieto e efetuar o pagamento. Torço apenas para que não seja um outro lugar parecido com este que moramos. Mas é isso.


Veja se não tenho minhas razões para ficar apreensivo quanto as escolhas que o pessoal aqui de casa faz em se tratando de imóveis. Uma dessas moradias aí foi escolhida pela Olga e pelo neto... um tanto quanto tapado. Está certo que fica no litoral, até que gosto da idéia de morar no litoral... são ajeitadinhas mas... desconfio que não sejam adequadas para uma família como a nossa.


E este amontoado de coisas, da qual os construtores consideram como sendo um imóvel, foi escolhido pela neta e pela sobrinha. Ah! Elas têm uma mania de ver ou adquirir coisas modernas. Quanta besteira.

Oiram Bourges - 09:15 para cima
Sábado, Julho 01, 2006


Numa dessas tarde modorrentas onde não se sabe se está frio ou calor estava eu em um ônibus, com uma tremenda vontade de ir ao banheiro, por que minha barriga, impacientemente, demonstrava sua potência sonora para que todos do lotação pudessem ouvir os chiados, ruídos, estrondos e reclamações que ela podia e conseguia fazer. Logicamente que os outros passageiros acabaram me isolando num canto após ouvirem minha bizarra sinfonia e sentirem os baixos aromas de minhas obscuras produções. E não os condeno por isso, pois a coisa não estava nada agradável naquele momento.

Por sorte, de todos, que eu já estava perto do ponto onde iria desembarcar. Contudo, não esperei que o ônibus parasse por completo para descer. Simplesmente me joguei lá de dentro direto no asfalto. E aproveitando a velocidade pratiquei; como diriam por aí... Oras! Não sei quem diria o que por aí. De qualquer maneira eu fiz uma corrida contida até o prédio onde moro. Mas não me senti habilitado para chegar a tempo até meu apartamento, tive de emprestar o sanitário da portaria. Fato este que me deixou, mais tarde, como tema principal de reunião entre os outros condôminos. Tudo bem, pensei, azar o deles. Por quê? Simplesmente por que a portaria ficou interditada por mais de uma hora. Disseram que foi por causa do tal aroma baixo que produzi. Claro que tudo isso era mentira desse povo, mas, nem me importo sobre isso também. O povo sempre fala demais.

Então, quando finalmente cheguei em casa, continuando com minha narrativa, resolvi ler um livro qualquer. Sim, decidi-me pela leitura por que o futebol, pelo menos do Brasil, não está com nada. O assunto pelo qual havia me interessado era sobre a possibilidade de um homem voar... Não de avião, com asas nas costas ou jatos propulsores, ou qualquer coisa assim. A maneira de voar tratada neste livro era do estilo super-heróis, flutuando e coisa e tal. Impossível? Talvez ainda seja cedo para confirmar qualquer coisa sobre este assunto. Difícil? Certamente que sim. Tanto que, após uma dúzia de tentativas eu ainda não havia conseguido alçar vôo algum. No entanto, meus joelhos, cotovelos, pés, mãos, barriga, testa, queixo e nariz já apresentavam diferenças, visualmente falando. Mas a dificuldade, segundo os ensinamentos descritos no tal livro, faz parte do processo. E a impossibilidade, pode ser tranqüilamente possível e aceitável em casos como este.

Bom, se é possível voar eu ainda não comprovei, se a pergunta for: doeu? Com ampla experiência no assunto posso dizer que sim. Se eu continuaria com estes testes absurdos? Olha; digamos que não. Afinal de contas meu físico não permite testes tão duradouros e persistentes quanto estes. E ainda por cima toda esta bobajada me encheu o saco. Pensando assim resolvi pegar umas latinhas de cerveja e um pacote de amendoim para me sentar naquela minha poltrona deprimente e assistir um programa qualquer na televisão. Talvez esta ação pudesse fazer com que eu esquecesse das dores que adquiri durante aquelas tentativas de vôo pra lá de estúpidas.


A capa do livro trazia a imagem de alguém voando pelos lugares plenamente como se fosse tudo muito fácil. Porém começo a suspeitar quanto a veridicidade do fato.

Oiram Bourges - 20:52 para cima

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